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Introdução: As arritmias fetais são condições que ocorrem numa pequena percentagem
de gravidezes e que são diagnosticadas de forma incidental através da ecografia. A
maioria das arritmias são taquiarritmias fetais, que podem complicar o curso da gravidez, provocando insuficiência cardíaca fetal e hidropisia fetal nos casos não tratados, e aumentando as taxas de morbidade e mortalidade perinatal. Apresentação do caso:
Apresentamos o caso de uma paciente de 38 anos, com 27,6 semanas de gestação,
que deu entrada num centro de cuidados terciários após a deteção de taquicardia fetal
numa ecografia obstétrica. A ecocardiografia fetal confirmou uma taquiarritmia supraventricular e hidropisia fetal, este último achado evidenciado pela presença de ascite
e derrame pericárdico. Foi descartada uma patologia anatómica estrutural fetal, e os
exames paraclínicos realizados à paciente descartaram incompatibilidade Rh, patologia
tireoidiana e infeções do complexo TORCH (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus,
herpes, sífilis, hepatite B e VIH). Posteriormente, foi realizada uma cardioversão farmacológica transplacentária com digoxina, conseguindo-se o retorno ao ritmo sinusal
e a resolução da hidropisia após três semanas de tratamento. Isto permitiu levar a
gravidez a termo às 37 semanas sem complicações. Conclusão: Embora a incidência
de arritmias fetais seja baixa, o diagnóstico e o tratamento oportunos em centros com
pessoal qualificado reduzem as complicações perinatais e permitem levar as gravidezes
a termo. Além disso, foi demonstrada a eficácia da digoxina como agente antiarrítmico,
mesmo em fetos com hidropisia, nos quais o retorno ao ritmo sinusal pode demorar
mais do que o habitual em comparação com fetos sem hidropisia fetal.
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