Luciene Oliveira Rocha Lopes
Robert Santos Messias de Jesus
Ronaldo Santhiago Bonm de Souza
Maycoln Leôni Martins Teodoro
Fatores de risco e associados ao comportamento suicida no
Brasil: uma revisão sistemática
Risk factors and associated with suicide behavior in Brazil: a systematic review
116
Artículo de investigación
Recibido: 26/09/2022 – Aprobado: 10/03/2023- Publicado: 30/06/2023
ISSN - 2619-6336
DOI: https:/doi.org/10.30554/tempuspsi.6.2.4694.2023
Volumen 6-2 2023
Factores de riesgo y asociados con el comportamiento suicidio en Brasil: una revisión Sistemática
Tempus Psicológico
117
O comportamento suicida é um gra-
ve problema de saúde pública, moti-
vado por diversos fatores de risco que
incluem aspectos genéticos, psicoló-
gicos, sociais e culturais. O objetivo
do estudo é analisar a literatura espe-
cíca destes fatores para tentativas de
suicídio no Brasil. Trata-se, portanto,
de uma revisão sistemática sobre este
tema. Os dados foram coletados nas
principais bases de dados a partir dos
seguintes descritores: “fatores associa-
dos e de risco”; “tentativa de suicídio
e suicídio”; “Brasil”. Os resultados
demonstraram que os fatores apresen-
tados pela literatura mundial também
estão em sua maioria presentes no Bra-
sil. Os estudos com fatores associados e
de risco para o comportamento suicida
podem colaborar com programas de in-
tervenção para grupos especícos, mas
estes ainda são escassos no Brasil e são
necessárias novas pesquisas que abor-
dem esta temática.
Palavras-chave: tentativas de suicí-
dio, suicídio, fatores associados, fato-
res de risco, Brasil.
Suicidal behavior is a serious public
health problem motivated by several risk
factors that include genetic, psychologi-
cal, social and cultural aspects. The aim of
the study is to analyze the specic litera-
ture on these factors for suicide attempts
in Brazil. It is, therefore, a systematic re-
view on this topic. Data were collected
in the main databases from the following
descriptors: “associated and risk factors”;
“attempted suicide and suicide”; "Brazil".
The results showed that the factors presen-
ted in the world literature are also mostly
present in Brazil. Studies with associated
and risk factors for suicidal behavior can
collaborate with intervention programs for
specic groups, but these are still scarce
in Brazil and further research is needed to
address this issue.
Keywords: Suicide attempts. Suicide.
Associated factors. Risk factors. Brazil
Resumo
Abstract
Alba Ester Atencia, Zary Marcela Mendoza y Rolan Arcadio Correa
Tempus Psicológico
El comportamiento suicida es un grave
problema de salud pública motivado por
varios factores de riesgo que incluyen as-
pectos genéticos, psicológicos, sociales y
culturales. El objetivo del estudio es ana-
lizar la literatura especíca sobre estos
factores para los intentos de suicidio en
Brasil. Se trata, por tanto, de una revisión
sistemática sobre este tema. Los datos se
recogieron en las principales bases de da-
tos a partir de los siguientes descriptores:
“factores asociados y de riesgo”; “Intento
de suicidio y suicidio”; "Brasil". Los re-
sultados mostraron que los factores pre-
sentados en la literatura mundial también
están presentes mayoritariamente en Bra-
sil. Los estudios con factores asociados y
de riesgo para la conducta suicida pueden
colaborar con programas de intervención
para grupos especícos, pero estos aún
son escasos en Brasil y se necesita más in-
vestigación para abordar este tema.
Palabras clave: Intentos de suicidio.
Suicidio. Factores asociados. Factores de
riesgo. Brasil.
118
Resumen
Tempus Psicológico
119
Universidade Federal de Minas Gerais. Correo: lucieneoliveirarochalopes@gmail.com. ORCID: https://orcid.
org/0000-0003-1046-345
Universidade Federal de Minas Gerais. Correo: santhiagosouza@yahoo.com.br ORCID: https://orcid.org/0000-0001-
7779-6092
Universidade Federal de Minas Gerais. Correo: robert_santos33@outlook.com ORCID: https://orcid.org/0000-0001-
8543-6935
Universidade Federal de Minas Gerais. Correo: mlmteodoro@hotmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0002-
3021-8567
Fatores de risco e associados ao comportamento suicida no
Brasil: uma revisão sistemática
Luciene Oliveira Rocha Lopes1
Robert Santos Messias de Jesus2
Ronaldo Santhiago Bonm de Souza3
Maycoln Leôni Martins Teodoro4
Para citar este artículo
Oliveira, L., Messias, R. S., Bonm, R. S y Martins, M. L. (2023). Fatores
de risco e associados ao comportamento suicida no Brasil: uma revisão siste-
mática. Tempus Psicológico, 6(2), 116-132. https:/doi.org/10.30554/tempusp-
si.6.2.4694.2023
Tempus Psicológico
120
Introdução
O suicídio é um grave problema de saúde pública e os dados relativos à mortalidade são
monitorados pela World Health Organization (WHO, 2019). Resultado de um processo complexo e
multifacetado, o comportamento suicida pode ser explicado através de atos gradativos que se iniciam
pela presença de ideias e pensamentos de morte, passando pelo planejamento, até chegar às tentativas
de suicídio e, por m, o ato que resulta na morte. As ideações suicidas são as condições pelo qual o
indivíduo se relaciona com a ideia de terminar com a própria vida, além de ter pensamentos relacionados
à motivação, intencionalidade e à letalidade. As tentativas de suicídio são ações autolesivas intencionais
de interromper a vida, mas que não levam ao óbito. O suicídio contém ações intencionais que levam
à morte (Botega, 2015).
Estima-se que, para cada caso de suicídio, existam de dez a vinte ocorrências de tentativas, o
que pode trazer além de impactos sociais e psicológicos para pessoas que convivem diretamente com
os sujeitos, considerável impacto nos serviços de saúde (WHO, 2014). Dados referentes às lesões
autoprovocadas e às tentativas de suicídio no Brasil, foram registrados através do boletim epidemiológico
do Ministério da Saúde em 2021. O documento descreve que no em 2019, foram identicados 124.692
casos de lesões autoprovocadas, sendo 71,3% em mulheres e 28,6% em homens. A ocorrência das
lesões se concentrou nas faixas etárias de 20 a 39 anos, e observa-se presença importante nos casos
entre 15 e 19 anos de idade. Evidencia-se que a repetição dos atos estava presente em 41% dos casos
e em 60% dos o método utilizado, foi por algum tipo de envenenamento (Ministério da Saúde, 2021).
A interação de fatores biológicos, sociais, psicológicos e culturais pode levar uma pessoa
ao comportamento suicida e sua prevenção inclui a identicação dos fatores associados e de risco
na população. Segundo a WHO (2014), os principais fatores de risco para o comportamento são: a
história prévia de tentativas, a presença de transtornos mentais, o abuso de álcool e outras drogas,
barreiras de acesso aos sistemas de saúde, o acesso a métodos letais, divulgações inadequadas da
mídia, discriminações, história de traumas ou abusos, sentimentos de solidão e falta de apoio social,
conitos de relacionamento, perda de emprego, desesperança, doenças crônicas, história familiar de
suicídio e fatores genéticos. A presença de um transtorno mental é um importante fator de risco e
ainda é o principal fator de maior vulnerabilidade para o comportamento suicida. A situação de risco
se agrava quando associação dessas condições, como, por exemplo, depressão e alcoolismo (WHO,
2019).
A identicação dos fatores de risco para o comportamento suicida tem um importante valor
preditivo para a construção de ações preventivas especícas para cada grupo populacional. Botega
(2015) relata que o coeciente nacional de mortalidade por suicídio pode encobrir importantes
variações regionais, fatores socioculturais e econômicos. Tendo em vista as especicidades
socioculturais das tentativas de suicídio, torna-se relevante identicar, no Brasil, quais são os fatores
de risco identicados na literatura, uma vez que são escassos trabalhos que analisam sistematicamente
as pesquisas brasileiras.
Sendo assim, o objetivo do presente trabalho é identicar os fatores de risco e associados às
tentativas de suicídio presentes em estudos com amostras brasileiras. Os resultados podem ajudar a
direcionar as políticas públicas para a prevenção do suicídio no Brasil. Os fatores de risco descritos
pelos estudos desta revisão foram classicados e avaliados em sete subgrupos: marcadores genéticos
e história familiar de suicídio; condições de saúde; abuso de álcool e outras drogas; violência; fases
do desenvolvimento; acesso a serviços de saúde e acesso a psicofármacos.
Fatores de risco e comportamento suicida
Tempus Psicológico
121
Método
A pesquisa foi aprovada pela International Prospective Register of Systematic Reviews
(PROSPERO) e incluiu as seguintes etapas: (1) estabelecimento da questão norteadora do estudo:
“Quais os fatores de risco e associados para as tentativas de suicídio no Brasil?”; (2) seleção e obtenção
de artigos nas bases de dados; (3) avaliação dos estudos pré-selecionados com exclusão de duplicatas
com a plataforma Rayyan QCRI (Ouzzani et al., 2016); (4) construção e preenchimento da tabela de
extração de dados. O artigo foi preparado com o uso dos itens de relatórios preferenciais para análises
sistemáticas e meta-análises (PRISMA) (Liberati et al., 2009).
Bancos de dados e estratégia de pesquisa
Os critérios de inclusão dos artigos foram o desenho de estudo (epidemiológicos, transversais,
coorte, caso-controle e randomizados), que apresentassem análises apenas das tentativas de suicídio
e que contemplassem apenas amostras brasileiras. Não houve restrição de tempo de publicação ou
da língua utilizada nas produções. Como critérios de exclusão, foram retiradas as pesquisas com
indicação de associação de variáveis sem cálculo estatístico; os estudos que avaliaram apenas o risco
de suicídio; os estudos multicêntricos sem detalhamento da amostra brasileira e os estudos com uso
de escores compostos que correlacionam tentativas e suicídio.
Inicialmente para as buscas nas plataformas, foram considerados estudos que apresentavam
fatores de risco e associados tanto para tentativas de suicídio, quanto para o suicídio. Esta decisão
se deu para vericar se em estudos que tratavam sobre o suicídio, também apresentavam resultados
para as tentativas. Ao nal da análise, foram excluídos todos os estudos que apresentavam fatores
relacionados apenas ao suicídio. Para uma melhor compreensão das causas relacionadas às tentativas
de suicídio foram analisados estudos de coorte, ensaio clínico randomizado e caso controle para
análise dos fatores de risco, e demais delineamentos para análise dos fatores associados.
A coleta de dados da revisão sistemática foi realizada até setembro de 2020 nas bases de dados,
Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) via PubMed, PsycINFO,
CINAHL via EBSCO, Web of Science e na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Uma estratégia de
busca foi elaborada com os termos attempted suicide, Parasuicide, Parasuicides, suicide, suicides,
suicide risk, Brazil e Brazilian vericados no DeCS e MeSH. Utilizou-se de operadores booleanos
AND e OR para a articulação dos termos usados apenas no idioma inglês.
Seleção de estudos e critério de elegibilidade
O resultado da busca foi analisado por meio da plataforma Rayyan QCRI (Ouzzani et al.,
2016). A seleção foi feita por dois juízes através da leitura dos títulos e dos resumos. Os conitos
foram resolvidos por um terceiro revisor. A análise da qualidade metodológica dos estudos foi feita
pelo Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE).
Oliveira, L. Messias, R.S. Bonm, R. S. Martins, M.L.
Tempus Psicológico
122
Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada por meio da leitura completa e extração de informações do
artigo. Foram extraídos o desenho do estudo, os fatores de risco ou associados, o contexto e objetivo,
a localização geográca, as características amostrais e os resultados das publicações.
Resultados
Foram selecionados 1.265 artigos nas bases de dados. Destes, 290 foram retirados por motivo
de duplicidade, 585 artigos pelo delineamento de estudos. Restaram 389 que tiveram os resultados
analisados pelos fatores de inclusão e exclusão. Após análise por fatores de inclusão da revisão
excluíram-se 359 estudos e um total de 30 artigos preencheu os critérios de elegibilidade para leitura
completa e análise dos resultados (Figura 1). A literatura cinzenta foi pesquisada no Banco de Tese
CAPES onde foram localizados 37 artigos.
Fatores de risco e comportamento suicida
Tempus Psicológico
123
Fonte: Elaboração dos autores.
Os estudos foram realizados com amostras da população geral brasileira, contemplando as
seguintes regiões: sudeste (16), sul (6) e nordeste (3). Dos 30 artigos incluídos, cinco utilizaram
dados secundários de sistemas brasileiros (ex. DATA-SUS, Sistema de Informação sobre Mortalidade,
Ministério da Saúde, Instituto Brasileiro de Geograa e Estatística e Instituto Médico Legal).
A data de publicação dos estudos está entre 2000 e 2020 com aumento das publicações a
partir do ano de 2009. Os artigos obtiveram a pontuação STROBE entre 15 e 22 (Tabela 1), o que
caracteriza um percentual de qualidade alto. Os itens não pontuados nos estudos que não obtiveram
pontuação máxima relacionavam-se à falta da descrição dos elementos-chave do desenho do estudo,
clareza em todos os desfechos, das medidas adotadas para evitar viés, dentre outros. Os artigos foram
categorizados segundo a variável dependente (tentativa de suicídio) e as variáveis independentes
(fatores associados e de risco).
Oliveira, L. Messias, R.S. Bonm, R. S. Martins, M.L.
Tempus Psicológico
124
Tabela 1.
Características estudos incluídos por análise dos fatores associados e de risco nas tentativas de
suicídio
Estudo Amostra Tipo de estudo Fator de Risco (FR) ou Fator Associado
(FA)
Correa et al., (2002) 225 Estudo
transversal
Genética (FA) 21
Segal e Manfro
(2009)
84 Caso controle Genética (FA) 22
Correa et al., (2004) 237 Estudo
transversal
Genética (FA) 22
Viana et al., (2006) 248 Estudo
transversal
Genética (FA) 21
Santos et al., (2009) 96 Estudo
transversal
Prevalência de transtornos mentais (FA) 22
Neves et al., (2009) 168 Estudo
transversal
Primeiro episódio Transtorno Bipolar
(FA)
22
Silva et al., (2017) 60 Estudo
transversal
Variáveis sociodemográcas (sexo,
anos de educação e idade), severidade
da mania ou sintomas psicóticos no TB
(FA)
19
Stefanello et al.,
(2010)
174 Caso controle Epilepsia (FR) 22
Stefanello et al.,
(2011)
153 Estudo
transversal
Depressão e ansiedade em pacientes com
epilepsia (FA)
22
Malbergier e Guerra
de Andrade (2001)
60 Caso controle Sorologia HIV positivo (FR) 22
Gomes et al., (2010) 255 Estudo
transversal
Obesidade (FA) 22
Vargas et al., (2013) 342 Estudo
transversal
Biomarcadores de estresses e distúrbios
metabólicos (FA)
21
Zilberman et al.,
(2001)
261 Estudo
comparativo
Abuso de álcool ou outras drogas (FA) 22
Silveira et al., (2014) 86 Estudo
transversal
Associação de abuso de drogas (FA) 22
Abdalla et al., (2019) 4607 Estudo
transversal
Abuso de álcool e outras drogas (FA) 22
Albuquerque et al.,
(2018) 316
Estudo
transversal Violência física e sexual em indivíduos
LGBT usuários de drogas (FA) 22
Devries et al., (2011) 1406 Estudo
transversal Violência contra as mulheres (FA) 22
Coêlho et al., (2016) 5037 Estudo
transversal Adversidades na infância (FA) 22
De Araújo e Lara
(2016) 71429 Estudo
transversal Adversidades na infância (FA) 22
Conclusão
Fatores de risco e comportamento suicida
125
Estudo Amostra Tipo de estudo Fator de Risco (FR) ou Fator Associado
(FA)
Silva et al. (2014) 2207 Estudo
transversal Aspectos sociodemográcos (FA) 21
Freitas et al., (2008) 160 Caso controle Gravidez na adolescência (FA) 21
Jatobá e Bastos
(2007) 242 Estudo de
prevalência Depressão e ansiedade (FA) 21
Carlini-Cotrim et al.,
(2000) 1675 Estudo
transversal
Comportamentos de risco à saúde de
estudantes adolescentes (FA) 17
Machado et al.,
(2018) 5507 Estudo
transversal
Acesso aos CAPS (Centro de Atenção
Psicossocial) (FA) 21
Cais et al., (2009) 203 Caso controle Características sociodemográcas de
tentativas de suicídio repetidas (FR) 22
Meyer et al., (2010) 1261 Estudo
Comparativo Exposição a pesticidas (FA) 21
Trevisan e Oliveira,
(2012) 20 Estudo
transversal
Acesso e disponibilidade de drogas
psicoativas (FA) 15
Fonte: Elaboração dos autores.
Classicação e análise dos estudos por subgrupos
Marcadores genéticos e histórico familiar de suicídio
Quatro estudos (Correa et al., 2002; Correa et al., 2004; Segal e Manfro, 2009; Viana et al.,
2006) investigaram a relação entre marcadores genéticos e biológicos 5HT2A, 5HTTLPR e A218C
à tentativa de suicídio. Os resultados não foram signicativos para estes marcadores. Destes estudos,
dois investigaram adicionalmente a presença de histórico familiar de suicídio. Correa et al. (2004)
encontraram presença de história familiar em 44% da amostra enquanto os resultados de Viana et al.
(2006) encontraram uma taxa de 50% no grupo estudado.
Condições de saúde
Santos et al. (2009) investigaram a presença de transtornos mentais relacionados às tentativas de
suicídio. Os mais prevalentes foram o transtorno depressivo, dependência de substâncias psicoativas,
transtorno de estresse pós-traumático, abuso de álcool e esquizofrenia. Especicamente com relação
ao transtorno de humor, Neves et al. (2009) buscaram investigar se a polaridade do primeiro episódio
poderia ser um marcador do comportamento suicida nos pacientes. As conclusões foram que pacientes
deprimidos tiveram mais histórias de tentativas de suicídio ao longo do tempo. Por outro lado, os
pacientes maníacos têm maior tendência às tentativas com métodos mais violentos. Silva et al. (2017)
também estudaram pacientes com transtorno bipolar, investigando a correlação dos insights e o
comportamento suicida. As tentativas de suicídio correlacionaram com o maior comprometimento e
do insight nos pacientes deprimidos.
Gomes et al. (2010) investigaram a relação entre a história de TS e obesidade em pacientes
Tempus Psicológico
Oliveira, L. Messias, R.S. Bonm, R. S. Martins, M.L.
Tempus Psicológico
126
com transtorno bipolar, encontrando quase duas vezes mais história de tentativas no grupo de obesos.
Na mesma direção, Vargas et al. (2013) encontraram uma associação entre maior índice de massa
corporal com tentativa de suicídio.
Stefanello et al. (2010) compararam as características clínicas de pacientes com epilepsia e
outros sem o diagnóstico. Foi vericado que, no grupo de epiléticos, prevaleciam mais pacientes com
história de TS. Em outro estudo, o mesmo grupo de pesquisa vericou a presença de ansiedade e
depressão em pacientes com epilepsia, encontrando uma associação destes agravos com tentativas de
suicídio (Stefanello et al., 2011).
Ainda em relação a condições de saúde, Malbergier e Guerra de Andrade (2001) investigaram
a prevalência e associação de transtorno depressivo e TS em usuários HIV- soropositivos de drogas
injetáveis, não sendo encontrada associação entre as variáveis.
Abuso de álcool e outras drogas
Três estudos (Zilberman et al., 2001; Silveira et al., 2014; Abdalla et al., 2019), buscaram
avaliar a associação de abuso de álcool e drogas e TS. Os resultados das três pesquisas demonstraram
associação tanto do álcool, quanto ao uso de outras drogas como a maconha e cocaína. Roglio et al.
(2020) encontraram associação de TS com depressão e alucinação em pacientes internados por uso
abusivo de crack e cocaína.
Violência
Albuquerque et al. (2018) estudaram a presença de violência física, sexual e abuso de drogas
em indivíduos LGBT e encontraram uma associação de violência física e sexual com TS. Devries et
al. (2011) pesquisaram a violência contra a mulher e encontraram associações com abuso sexual na
infância e violência sofrida por parceiro íntimo com TS. Da mesma forma, a presença de estigma
sexual aumenta em 60% a presença de TS e jovens brasileiros quando comparados com aqueles que
não sofreram esta violência.
Um grupo de pesquisas investigou a presença de adversidades na infância e tentativa de suicídio.
Foram encontradas associações de TS com abuso físico (Coêlho et al., 2016), abuso e negligência
emocionais e físicas (Zatti et al., 2020) e abusos emocional, físico e sexual e negligência emocional
(De Araújo e Lara, 2016).
Fases do Desenvolvimento
Com relação aos adolescentes, Silva et al. (2014) encontraram maior frequência de TS no grupo
feminino, com presença de comportamentos agressivos e usuárias de álcool e cigarro. Resultados
similares foram encontrados em estudantes de escolas estaduais e particulares (Jatobá e Bastos, 2007;
Carlini-Cotrim et al., 2000), com maior frequência de TS no sexo feminino em ambas as escolas.
Ainda na adolescência, Freitas et al. (2008) compararam jovens grávidas e não grávidas, encontrando
maior frequência de TS no grupo de gestantes.
Fatores de risco e comportamento suicida
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Acesso a serviços de saúde
Machado et al. (2018) investigaram o acesso de pacientes que tentaram suicídio em Centro de
Atenção Psicossocial (CAPS). Os resultados mostraram que naqueles municípios com cobertura de
serviço de saúde mental possuíam taxas mais baixas de hospitalização por tentativa de suicídio.
o estudo de Cais et al. (2009) compararam as características sociodemográcas e clínicas
de pacientes que tentaram suicídio pela primeira vez com um grupo de tentativas repetidas que
foram atendidos em um hospital geral. O estudo vericou que a repetição das TS está associada ao
sexo feminino com maior presença de mulheres dona de casa e com diagnósticos de depressão. A
hospitalização por TS também foi investigada por Meyer et al. (2010). Eles compararam as taxas de
hospitalização por TS entre agricultores de áreas com alto uso de pesticidas em duas regiões distintas.
Os resultados deste estudo demonstraram maior taxa de hospitalização por TS e presença de transtorno
do humor entre os agricultores que faziam uso de produtos químicos nas lavouras.
Acesso a psicofármacos
Trevisan e Oliveira (2012) buscaram vericar o acesso, a disponibilidade e a nalidade do uso
de psicofármacos nas tentativas de suicídio de mulheres com TS. Este estudo apontou forte relação em
pacientes que tentaram suicídio e eram diagnosticadas com depressão, em uso de benzodiazepínicos e
que adquiriam as medicações com receita médica.
Discussão
Esta revisão buscou identicar e analisar os fatores associados e de risco para as tentativas de
suicídio em estudos com amostras brasileiras. O conjunto de publicações evidenciou a diversidade de
pesquisas e de fatores associados com as tentativas.
A maior concentração de pesquisas relaciona as tentativas à presença de transtornos mentais. Os
transtornos do humor, mais especicamente a depressão foram os mais frequentemente encontrados,
seguido de esquizofrenia, transtornos relacionados ao uso abusivo de substâncias, mais comum o
uso de álcool e transtornos de personalidade. Apesar de ser um fator risco amplamente descrito na
literatura, é importante destacar que a presença do transtorno por si só não determina a tentativa de
suicídio. Desse modo, seria relevante investir em pesquisas que buscassem associar, para além dos
transtornos mentais, o sofrimento e as relações sociais frágeis como fatores associados.
A revisão apresentou um estudo (Trevisan e Oliveira, 2012), que apontou forte relação em
pacientes que tentaram suicídio e eram diagnosticadas com depressão, em uso de medicamentos com
venda restrita no país. O mesmo raciocínio pode ser feito para os medicamentos de venda livre,
facilmente comprados em farmácias e drogarias no Brasil. Este achado descreve a importância da
construção de políticas públicas no âmbito da saúde mental que colaborem com a restrição do acesso
a métodos, particularmente da disponibilidade destes medicamentos a populações mais vulneráveis
ao comportamento suicida. A restrição ao método é uma importante ferramenta e precisa ser ensinada
aos familiares de pacientes que tentaram suicídio.
A presença de mais de um caso de suicídio na família sugere que marcadores genéticos
são fatores signicativos para o suicídio. Para Segal e Manfro (2009), as pesquisas permitiram
identicar inúmeras variações na sequência de DNA em casos de suicídio, entretanto esses efeitos
Oliveira, L. Messias, R.S. Bonm, R. S. Martins, M.L.
Tempus Psicológico
128
ainda são insucientes. O autor ainda ressalta que um único gene ou conjunto deles não é suciente
para responsabilizar o comportamento suicida. Os estudos nacionais com marcadores genéticos aqui
apresentados, da mesma forma, não encontraram a associação dos genes especícos com pacientes
que tentaram suicídio.
A WHO (2019) declarou que a maior parte dos óbitos por suicídio em adolescentes ocorre
em países de baixa e média renda. Os estudos apresentados na revisão em relação aos adolescentes
relacionam as tentativas de suicídio com fatores como, ser do sexo feminino com presença de sintomas
depressivos e de ansiedade, além da relação dos jovens com comportamentos agressivos, uso de álcool
e cigarro.
O fortalecimento de políticas públicas é um importante fator de prevenção no caso das TS.
Os autores Machado et al. (2018) demonstram em sua pesquisa que existe baixa hospitalização por
tentativas de suicídio em municípios com cobertura dos CAPS, o que é corroborado pela WHO (2014),
que preconiza que o acesso a sistemas de saúde mental e oferta adequada de tratamento para pessoas
com doenças mentais são diretrizes importantes para a prevenção do comportamento suicida. Ter
acesso a serviços especializados pode ser um fator protetivo importante para a prevenção uma vez que
o foco do trabalho é o cuidado e tratamento das doenças mentais. Desse modo, os dados de estudos
brasileiros apontam para a necessidade de fortalecimento do sistema público de saúde como política
de prevenção a novas tentativas.
Casos de violência de gênero e abuso infantil são descritos pela WHO (2014) como fatores
fortemente associados ao comportamento suicida. As publicações apresentadas neste estudo
corroboraram com os achados quando os resultados apresentados demonstram que crianças que
sofreram violências física ou sexual na infância têm maiores chances de tentar suicídio na fase adulta.
O estigma sexual também foi demonstrado como fator associado ao comportamento suicida e é descrito
pela WHO (2014) que em países onde as minorias sofrem com maior discriminação, presença de
altas taxas de suicídio.
Conclusão
A revisão demonstrou que no Brasil os fatores de risco encontrados para tentativas de suicídio
são semelhantes aos apresentados pela literatura mundial. Os achados reforçam a importância das
ações estratégicas de prevenção do comportamento suicida assim como o incentivo aos serviços de
saúde mental para as pessoas mais vulneráveis removendo inclusive as barreiras de acesso a esses
locais, a mobilização dos sistemas de saúde incluindo treinamento de prossionais da saúde, a redução
de acesso a métodos letais e o incentivo a pesquisas que contribuam com a vigilância e melhoria da
qualidade de dados.
Os resultados apresentados e discutidos sugerem que, levando em consideração os fatores
associados e de risco, programas de intervenção especícos para a população em risco de suicídio
podem ser grandes aliados para a prevenção de novos casos. Estes programas ainda são escassos
no Brasil e a partir disso sugere-se a realização de estudos futuros com a população brasileira que
contemplem a temática de programas de intervenção e grupos de risco ao comportamento suicida,
demonstrando ecácia dos resultados. Da mesma forma, o planejamento e implantação de políticas
públicas que facilitem o acesso aos equipamentos de saúde possuem impacto positivo na sua prevenção.
O comportamento suicida é um problema sério e precisa ser acompanhado por uma abordagem
Fatores de risco e comportamento suicida
Tempus Psicológico
129
multidisciplinar. Aos prossionais da saúde mental é essencial que eles conheçam sua complexidade,
fazer a correta identicação dos fatores de risco apresentados pelos indivíduos para garantir que eles
recebam intervenções de prevenção e tratamento adequados.
O Brasil tem uma ampla extensão territorial e pode esconder importantes variações regionais
nos índices do comportamento suicida. A revisão demonstrou diferenças quantitativas de estudos por
localização no país, incluindo a ausência de estudos em duas regiões (norte e centro-oeste) com a
temática abordada. Portanto, verica-se a necessidade de pesquisas abrangendo as populações menos
estudadas. Sobre trabalhos de compilação de metadados, recomenda-se a estraticação dos resultados
e a identicação de fatores de riscos comuns e especícos das regiões.
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