Iuri Mazzei Lins Barroso1, Ravini de Souza Sodré2, Alex Santos Meireles3, Giullio César Pereira Salustiano Mallen da Silva4, Ana Beatriz M. C. Monteiro5, Mario Cezar de Souza Costa Conceição6, Rodrigo Gomes de Souza Vale7
Recibido para publicación: 27-02-2025. Versión corregida: 06-06-2025. Aprobado para publicación: 03-09-2025.
Modelo de citación:
Lins Barroso L.M., de Souza Sodré R., Santos Meireles A., Pereira Salustiano Mallen da Silva G.C., Monteiro A.B., de Souza Costa Conceição M.C., Gomes de Souza Vale R. Impacto do treinamento de força sobre o estado depressivo em pessoas com doença de Parkinson: Uma revisão sistemática. Arch Med (Manizales). 2025;25(2). https://doi.org/10.30554/archmed.25.2.5347.2025
Introdução: A Doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo que afeta sin- tomas motores e não motores, incluindo a depressão, uma das comorbidades mais prevalentes e debilitantes. O treinamento de força pode ser eficaz tanto para melhorar a funcionalidade física quanto para reduzir sintomas depressivos em pessoas com doença de Parkinson, promovendo neuroplasticidade e benefícios psicológicos. Este estudo investigou o impacto do treinamento de força sobre a depressão em indiví- duos com doença de Parkinson. Métodos: Seguindo as diretrizes PRISMA, foram selecionados ensaios clínicos randomizados que avaliavam o efeito do treinamento
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Lins Barroso L.M., de Souza Sodré R., Santos Meireles A., Pereira Salustiano Mallen da Silva G.C., Monteiro A.B., de Souza Costa Conceição M.C., Gomes de Souza Vale R. Impacto do treinamento de força sobre o estado depressivo em pessoas com doença de Parkinson: Uma revisão sistemática.
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de força na depressão em pacientes com doença de Parkinson. As bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science, ScienceDirect e EBSCOhost foram consultadas, resultando em 1341 estudos inicialmente, dos quais aos critérios de inclusão. A qua- lidade metodológica foi avaliada pela ferramenta TESTEX e o risco de viés, pela RoB
2.0. Resultados: Os três estudos incluíram 206 participantes (média de 64,6 anos). Os protocolos variaram entre 8 e 24 semanas, com frequência de 1 a 2 sessões se- manais. Dois estudos observaram redução significativa nos sintomas depressivos e melhora na qualidade de vida após o treinamento de força. Um estudo, que comparou treinamento de força e yoga mindfulness, destacou benefícios adicionais do yoga em bem-estar espiritual, embora o treinamento de força tenha apresentado maior impacto na funcionalidade física. Conclusão: O treinamento de força mostrou-se promissor na redução de sintomas depressivos em pacientes com doença de Parkinson, mas estudos futuros devem padronizar protocolos e ampliar amostras para validar seus efeitos. Intervenções integradas que considerem a saúde física e mental podem ofe- recer abordagens terapêuticas mais eficazes.
Palavras-chave: depressão; ansiedade, qualidade de vida; doença de Parkinson; exercício físico; treinamento de força
Introducción: La enfermedad de Parkinson es un trastorno neurodegenerativo que afecta síntomas motores y no motores, incluyendo la depresión, una de las comorbi- lidades más prevalentes y debilitantes. El entrenamiento de fuerza puede ser eficaz tanto para mejorar la funcionalidad física como para reducir los síntomas depresivos en las personas con enfermedad de Parkinson, promoviendo la neuroplasticidad y los beneficios psicológicos. Este estudio investigó el impacto del entrenamiento de fuerza en la depresión en individuos con enfermedad de Parkinson. Métodos: Siguiendo las directrices PRISMA, se seleccionaron ensayos controlados aleatorizados que evaluaron el efecto del entrenamiento de fuerza sobre la depresión en pacientes con enfermedad de Parkinson. Se consultaron las bases de datos PubMed, Scopus, Web of Science, ScienceDirect y EBSCOhost, resultando inicialmente 1341 estudios, de los cuales se cumplieron los criterios de inclusión. La calidad metodológica se evaluó mediante la herramienta TESTEX y el riesgo de sesgo se evaluó mediante RoB 2.0. Resultados: Los tres estudios incluyeron 206 participantes (edad media 64,6 años). Los protocolos oscilaron entre 8 y 24 semanas, con una frecuencia de 1 a 2 sesiones semanales. Dos estudios observaron una reducción significativa de los síntomas depresivos y una me- joría en la calidad de vida después de la EF. Un estudio, que comparó el entrenamiento de fuerz y el yoga de atención plena, destacó los beneficios adicionales del yoga en el bienestar espiritual, aunque el TF tuvo un mayor impacto en la funcionalidad física. Conclusión: El entrenamiento de fuerza se mostró prometedor en la reducción de los
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síntomas depresivos en pacientes con enfermedad de Parkinson, pero futuros estudios deberían estandarizar los protocolos y ampliar las muestras para validar sus efectos. Las intervenciones integradas que tienen en cuenta la salud física y mental pueden ofrecer enfoques terapéuticos más eficaces.
Palabras clave: depresión; ansiedad; calidad de vida; Enfermedad de Parkinson; Ejercicio; Entrenamiento de fuerza.
Introduction: Introduction: Parkinson’s Disease is a neurodegenerative disorder that affects motor and non-motor symptoms, including depression, which is one of the most prevalent and debilitating comorbidities. Strength training can effectively improve physi- cal functionality and reduce depressive symptoms in people with Parkinson’s Disease, promoting neuroplasticity and psychological benefits. This study investigated the impact of depression on individuals with Parkinson’s Disease. Methods: Following the PRIS- MA guidelines, randomized controlled trials evaluating the effect of strength training on depression in patients with Parkinson’s Disease were selected. The PubMed, Scopus, Web of Science, ScienceDirect, and EBSCOhost databases were consulted, resulting in 1341 studies initially, of which the inclusion criteria were met. Methodological quality was assessed using the TESTEX tool, and risk of bias was assessed using RoB 2.0. Results: The three studies included 206 participants (mean age of 64.6 years). The protocols ranged from 8 to 24 weeks, with a frequency of 1 to 2 weekly sessions. Two studies observed a significant reduction in depressive symptoms and improvement in quality of life after strength training. One study, which compared strength training and mindfulness yoga, highlighted additional benefits of yoga on spiritual well-being, although strength training had a greater impact on physical functionality. Conclusion: Strength training showed promise in reducing depressive symptoms in patients with Parkinson’s Disease, but future studies should standardize protocols and expand samples to validate its effects. Integrated interventions that consider physical and mental health can offer more effective therapeutic approaches.
Keywords: depression; anxiety; quality of life; Parkinson disease; physical exercise; strength training,
no mundo, com sua incidência tendo aumen- tado 2,5 vezes nas últimas três décadas e
a doença de Parkinson (DP) é a segunda considerada a doença que mais cresce em doença neurodegenerativa mais prevalente prevalência, incapacidades e mortes ao longo com que afeta mais de 10 milhões de pessoas dos anos [1].
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Caracteriza-se principalmente por sintomas motores, como tremores, rigidez muscular e bradicinesia (lentidão dos movimentos) [2,3]. No entanto, além desses sintomas motores, a DP também está frequentemente associada a uma variedade de sintomas não motores, sendo a depressão e a ansiedade uma das comorbidades mais comuns e debilitantes e que comprometem a qualidade de vida e afetam mais de 35% das pessoas com DP [4].
A depressão é um transtorno mais comum em todo o mundo e na DP [5], por ser resul- tado de fatores biológicos, como alterações neuroquímicas e neurodegenerativas, bem como fatores psicológicos, como o impacto da doença na independência funcional e qualida- de de vida [6]. Essa alta prevalência destaca a necessidade de intervenções que possam abordar tanto os aspectos motores quanto os não motores da DP, indicando o exercício físico como um tratamento não medicamentoso que pode simultaneamente melhorar os sintomas motores [7-9] e os estados depressivos, sendo eficazes para a redução dos sintomas e melho- ra do bem-estar (10).
Nesse sentido, o treinamento de força (TF) tem emergido como uma intervenção promis- sora para melhorar a saúde física e mental de indivíduos com DP, pois envolve a realização de exercícios que aumentam a força muscular por meio da resistência progressiva contra uma carga. Este tipo de exercício tem sido ampla- mente estudado e demonstrado ser benéfico para a saúde geral, incluindo o aumento da massa muscular, melhora da densidade óssea, aumento da capacidade funcional, melhora da marcha e redução dos declínios provocados pela DP [11,12].
O TF não apenas melhorar a função motora, mas também exercer efeitos benéficos sobre o humor e a qualidade de vida, reduzindo sin- tomas depressivos. A capacidade do exercício físico de promover a neuroplasticidade e a liberação de neurotransmissores associados ao bem-estar pode ser um dos mecanismos
subjacentes a esses benefícios [13], em espe- cial a pessoas com DP que já apresentam um declínio cognitivo.
Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo investigar o impacto do TF sobre os sintomas motores e a redução dos sintomas depressivos em pessoas com DP. A hipótese central é que um programa estruturado de TF pode proporcionar melhorias significati- vas na saúde física e mental desses indivíduos, oferecendo uma abordagem complementar valiosa ao tratamento convencional.
Este estudo é uma revisão sistemática elaborada de acordo com as diretrizes reco- mendadas pelos Itens Preferenciais para Re- latar Revisões Sistemáticas e Meta-análises (PRISMA) [14]. Foi realizada uma busca na International Prospective Register of Syste- matic Reviews (PROSPERO), no qual não foram encontrados estudos sobre o tema em questão. Essa pesquisa foi registrada na PROSPERO com a seguinte numeração: CRD420250651080.
Os estudos incluídos nesta revisão segui- ram a estratégia PICOS [15]: população (P): Indivíduos diagnosticadas com a doença de Parkinson; intervenção (I): treinamento de força tradicional; comparação (C): grupo con- trole; desfecho (O): Depressão, e desenho do estudo (S): ensaios clínicos randomizados. Artigos de outros desenhos metodológicos fo- ram excluídos, como estudos observacionais, ensaios não randomizados e de revisão. Para atender a estratégia PICOS a seguinte questão norteadora foi elaborada: Qual é o impacto do treinamento de força tradicional sobre os sintomas motores e a redução dos sintomas depressivos em indivíduos diagnosticados com a doença de Parkinson?
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Em fevereiro de 2025, uma busca foi realiza- da exclusivamente usando filtros para ensaios clínicos randomizados nas bases de dados MEDLINE (PubMed), Scopus, Web of Scien- ce, Science direct e EBSCOhost. utilizando a seguinte frase de busca: (((Resistance training [Title/Abstract]) OR (Strength training [Title/Abs- tract])) AND (Parkinson disease[Title/Abstract])) AND (Depression[Title/Abstract]))) (Apêndice 1). Após a busca, todas as referências en- contradas foram importadas para o software EndNote, onde três revisores independentes tiveram acesso. Dois revisores foram respon- sáveis por remover duplicatas, revisar títulos e resumos, seguidos pela análise dos artigos em texto completo. O terceiro revisor estava dispo- nível para resolver quaisquer discrepâncias nas decisões tomadas durante o processo.
Para a avaliação da qualidade metodológi- ca, foi utilizada a Ferramenta para a Avaliação da Qualidade do Estudo e Relato em Exercício (TESTEX), que avalia a qualidade de estudos e relatórios no contexto do exercício físico. A TESTEX consiste em uma escala de 15 pontos, desenvolvida especificamente para estudos experimentais, abrangendo critérios que avaliam a validade interna e a apresen- tação da análise estatística. Cada critério na escala é pontuado com um ponto, enquanto a ausência desses indicadores resulta em zero pontos. A pontuação máxima alcançável é de 15 pontos. A escala inclui os seguintes critérios: 1) especificação dos critérios de in- clusão; 2) alocação aleatória; 3) ocultação da alocação; 4) similaridade dos grupos na linha de base; 5) cegamento do avaliador (para pelo menos um desfecho chave); 6) medição de pelo menos um desfecho primário em 85% dos sujeitos alocados (até três pontos); 7) análise por intenção de tratar; 8) comparação entre grupos de pelo menos um desfecho primário
(até dois pontos); 9) relato das medidas de va- riabilidade para todas as medidas de desfecho relatadas; 10) monitoramento das atividades nos grupos de controle; 11) a intensidade rela- tiva do exercício permaneceu constante; e 12) características do volume de exercício e gasto energético [16]. Dois avaliadores experientes realizaram a avaliação de forma independente e um terceiro avaliador foi consultado para possíveis discordâncias.
Para avaliar o risco de viés, foi empregada a ferramenta Risk of Bias 2.0 (RoB 2.0). A RoB 2.0 é uma ferramenta desenvolvida para auxiliar no processo de avaliação crítica de estudos em revisões sistemáticas, permitindo que os revisores examinem o risco de viés em estudos individuais incluídos na revisão. Esta ferramenta aborda múltiplos domínios de viés, cada um focado em uma área específica do desenho do estudo. Os domínios avaliados pela RoB 2.0 incluem: 1. Viés de Seleção: Refere-se a como os participantes são sele- cionados para grupos de comparação; 2. Viés de Desempenho: Avalia a presença de viés devido a diferenças sistemáticas entre grupos na administração da intervenção; 3. Viés de Detecção: Relaciona-se à presença de viés de- vido a diferenças sistemáticas entre grupos na medição dos desfechos; 4. Viés de Atribuição: Refere-se a como os resultados são atribuídos aos participantes; 5. Viés de Relato: Avalia se os resultados são relatados de forma completa e precisa [17]. Dois avaliadores experientes realizaram a avaliação individualmente e um terceiro avaliador foi recrutado para possíveis discordâncias.
O procedimento de extração de dados foi executado por dois avaliadores independen- tes, juntamente com um terceiro pesquisador para a resolução de possíveis divergências identificadas. As seguintes informações extraídas dos estudos foram incluídas na
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análise: autores, ano de publicação, país de origem, idade, massa corporal total, estatu- ra, índice de massa corporal, tamanho da amostra, informações sobre a intervenção realizada como volume e intensidade do exercício, duração da intervenção, métodos de avaliação e os desfechos encontrados. Dois avaliadores experientes realizaram a extração de dados de forma independente e um terceiro avaliador foi recrutado para possíveis discordâncias.
com base nos critérios estabelecidos an- teriormente, foram recuperados 1341 artigos (PubMed = 3, Scopus = 1322, Web of Science
= 3, SportDiscus = 11, ScienceDirect = 2). Des- tes, 28 foram identificados como duplicados e 1313 foram excluídos após avaliação do título e do resumo. Posteriormente, durante a leitura do texto completo, 87 foram excluídos, resul- tando em 3 artigos [18-20] que atenderam aos critérios de inclusão (Figura 1).

Figura 1. Fluxograma do processo de seleção dos estudos.
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As características da amostra são apresenta- das na Tabela 1. Dos três artigos selecionados, um é da China [20] e os outros dois são do Brasil [18,19]. O número total de participantes é 206, divididos em grupo controle (n=100) e grupo experimental (n=106). A média de idade do grupo controle foi de 66,1 anos e do grupo experimental foi 64,6 anos. Apenas um estudo
[20] não forneceu a altura e índice de massa corporal (IMC) dos participantes e um estudo
[18] não forneceu o sexo dos participantes.
Na Tabela 2 são observados os dados extraí- dos das intervenções realizadas nos estudos
selecionados com a combinação de volume, intensidade, frequência semanal, intervalo dos estímulos propostos, formas de avaliação e resultados. Os artigos se utilizaram tanto de avaliações quantitativas quanto qualitativas para os desfechos de depressão e do (TF). Dois estudos [18-20] tiveram frequência sema- nal mínima de duas sessões de treinamento e conduziram suas intervenções durante 20 e 24 semanas (total de 40 e 48 sessões), enquanto o outro estudo [19] utilizou uma sessão semanal, ao longo de oito semanas de intervenção (total de 8 sessões).
Tabela 1. Descrição das características dos artigos incluídos
Autor | País | Grupo controle | Grupo experimento |
Ferreira et al. [18] | Brasil | n: 17 Idade (Ano): 67.6 ± 8.9 Sexo: NI Altura (cm): 156.7 ± 11.4 IMC (Kg/m²): 27.6 ± 4.7 Hoehn & Yahr: 1 a 3 | n: 18 Idade (Ano): 64.1 ± 7.0 Sexo: NI Altura (cm): 156.7 ± 8.8 IMC (Kg/m²): 27.6 ± 3.7 Hoehn & Yahr: 1 a 3 |
Kwok et al. [19] | China | n: 67 Idade (Ano): 63.5 ± 9.3 Sexo: M:28 / F:49 Altura (cm): NI IMC (Kg/m²): NI Hoehn & Yahr: 1 a 3 | n: 71 Idade (Ano): 63.7 ± 8.2 Sexo: M:37 / F:34 Altura (cm): NI IMC (Kg/m²): NI Hoehn & Yahr: 1 a 3 |
De lima et al. [20] | Brasil | n:16 Idade (Ano): 67.2 ± 5.2 Sexo: M:9 / M:7 Altura (cm): 154.4 ± 7.3 IMC (Kg/m²): 27.7 ± 3.7 Hoehn & Yahr: 1 a 3 | n: 17 Idade (Ano): 66.2 ± 5.5 Sexo: M:10 / F:7 Altura (cm): 156.6 ± 9.6 IMC (Kg/m²): 28.1 ± 3.7 Hoehn & Yahr: 1 a 3 |
IMC = Índice de Massa Corporal; M= masculino; F= feminino; kg/m²= quilograma por metro quadrado; NI = Não Informado.
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Tabela 2. Características das intervenções extraídas dos artigos inclusos.
Autor | Intensidade | Duração / Volume | FS | S | Exercícios | Avaliação | Resultados |
Ferreira et al. [18] | Intensidade dos | 2 x 8 a 12 repetições | 2 | 24 | Supino reto Agachamento Terra Remada unilateral Flexão Plantar de pé Abdominal Infra | BAI WHRQOL FPM PQD - 39 UPDRS | Força Pós intervenção: |
exercícios foi controlada com base nas recomendações do “American College of Sports Medicine” (ACSM) | submáximas 1 a 2 minutos de descanso 30 a 40 minutos por sessão | ↑ FPM ↑ Correlação entre BAI e UPDRS ↑ Correlação entre BAI e PDQ - 39 ↑ UPDRS ↑ Qualidade de Vida ↓ Sintomas de Ansiedade | |||||
Kwok et al. [19] | Gradual, com foco no aumento da força muscular | 60 minutos de alongamento e treinamento contrarresistência | 1 | 8 | Extensão do joelho sentado Flexão de joelho sentado Flexão Plantar de pé Flexão Plantar unilateral de pé Flexão unilateral do quadril Agachamento na parede Mini agachamento (30° e 45°) Lunge lateral | HWS TUG HADS UPDRS PQD - 8 WHRQOL | Força Pós intervenção: ↔ Sintomas de Ansiedade e Depressão ↑ Mobilidade ↑ WHRQOL ↓ Dificuldade percebida ↑ Equanimidade percebida ↑ UPDRS Yoga Pós intervenção: ↑ Sintomas de Ansiedade e Depressão ↑ Bem-estar espiritual ↑ Equilíbrio emocional ↑ Mobilidade ↑ WHRQOL ↓ Dificuldade percebida ↑ Equanimidade percebida ↑ UPDRS |
De lima et al. [20] | OMNI-RES de 7 a 8 (Difícil) | 2 x 8 a 12 repetições submáximas com implemento de 2 a 10% 1 a 2 minutos de descanso 30 a 40 minutos por sessão | 2 | 20 | Supino reto Agachamento Terra Remana unilateral Flexão Plantar de pé Abdominal infra | HAM-D17 FPM PQD - 39 UPDRS TSA TUG TC6m Time2min | Resistido Pós intervenção: ↓ Sintomas depressivos ↑ Qualidade de vida ↑ UPDRS total ↑ Força Muscular ↑ Capacidade Funcional |
Legenda: FS = Frequência semanal; S = Semanas; NI = Não informado, TUG = Timed up and go, BAI - Inventário de Ansiedade de Beck, UPDRS - escala unificada de avaliação da doença de Parkinson, FPM - Força de preensão manual, TUG - Timed up and go, HADS - Hospital Anxiety and Depression Scale, PQD-8 - Parkinson’s Disease Questionnaire – 8, PQD-39 - Parkinson’s Disease Questionnaire – 39, HWS - Escala de bem estar holístico, WHRQOL - World Health Organization Quality of Life, HAM-D17 - Hamilton Depression Rating Scale, TIME2min - Teste de marcha estacionária de dois minutos, TC6m - Teste de caminhada de seis minutos, Sentar e alcançar no banco de Wells e Dylon – TSA, ↑ Aumento significativo do escore, ↓ Diminuição Significativa do escore, ↔ Manutenção do escore.
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A qualidade metodológica dos estudos incluí- pectivamente 14 e 12 pontos. Adicionalmente, dos é apresentada na Tabela 3. Um estudo [20] o risco de viés pode ser observado na figura 2 obteve 15 pontos, pontuação máxima possível através das ferramentas RoB 2.0, onde todos alcançada pela ferramenta TESTEX, enquanto os três artigos apresentaram baixo risco de viés os outros dois estudos [18, 19] obtiveram res- em todos os critérios analisados.
Tabela 3. Análise da qualidade metodológica utilizando a ferramenta TESTEX.
Estudos | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | Parcial (0 a 5) | 6a | 6b | 6c | 7 | 8ª | 8b | 9 | 10 | 11 | 12 | Parcial (0 a 10) | Total (0 a 15) |
Ferreira et al. [18] | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 5 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 0 | 1 | 9 | 14 |
Kwok et al. [19] | 1 | 1 | 1 | 1 | 0 | 4 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 0 | 0 | 8 | 12 |
De lima et al. [20] | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 5 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 10 | 15 |
*: estudos que não reportaram o número de desistências, porém todos finalizaram com o mesmo número de participantes que iniciaram a intervenção; NC: sem grupo-controle. Qualidade dos estudos: 1 = critério de elegibilidade específico; 2 = tipo de randomização especificada; 3 = alocação ocultada; 4 = grupos similares no baseline; 5 = os avaliadores foram cegados (pelo menos em um resultado principal); 6 = resultados avaliados em 85% dos participantes (6a = 1 ponto se concluíram mais de 85%; 6b = 1 ponto se os eventos adversos foram relatados; 6c = se for relatado atendimento ao exercício); 7 = intenção de tratar a análise estatística; 8 = comparação estatística entre os grupos foi relatada (8a = 1 ponto se comparações entre grupos são relatadas para a variável de desfecho primário de interesse; 8b = 1 ponto se comparações estatísticas entre grupos são relatadas para pelo menos uma medida secundária); 9 = medidas pontuais e medidas de variabilidade para todas as medidas de resultado que foram relatadas; 10 = monitoramento da atividade no grupo-controle; 11 = a intensidade relativa ao exercício permaneceu constante; 12 = o volume do exercício e o gasto de energia foram relatados.

Figura 2. Resultados da análise do risco de viés RoB2.0.
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O objetivo da presente revisão sistemática foi verificar o efeito do TF sobre o estado de- pressivo em pessoas com DP. Os três estudos que atenderam aos critérios de elegibilidade [18-20] apresentaram variáveis referentes aos sintomas de depressão das pessoas com DP [21].
Os estudos incluídos na presente revisão [18-20], destacam os benefícios do treina- mento físico em pessoas com DP, abordando os aspectos motores e psicológicos em 206 pessoas com DP. Dois destes estudos [18,20] apresentaram uma melhora na qualidade de vida. O estudo de [18] observaram que o TF levou a uma redução (p<0,05) nos sintomas de ansiedade, enquanto o estudo De Lima et al. [20] encontraram uma diminuição nos sintomas depressivos e aumentos na funcio- nalidade após o programa de 20 semanas de treinamento resistido. Já o estudo de Kwok et al. [19], comparando yoga mindfulness com o alongamento e treinamento de resistência, também relataram que o grupo de TF teve me- lhoras na redução de ansiedade e depressão, todavia, a intervenção de yoga obteve ganhos adicionais referentes ao bem-estar espiritual e equilíbrio emocional quando comparado ao grupo de TF.
O estudo De Lima et al. [20] demonstrou que 20 semanas de TF foram eficazes para diminuir os sintomas depressivos, melhorar a qualidade de vida e aumentar a funcionalidade em idosos com DP. Esses resultados foram corroborados pelo estudo de Ferreira et al. [18] que encon- trou uma redução (p<0,05) na ansiedade e uma melhora na qualidade de vida em um programa de TF de 24 semanas. Os benefícios foram observados especialmente naqueles em estágios moderados da doença, sugerindo que o treinamento resistido pode oferecer apoio fundamental ao tratamento farmacológico con- vencional, que, em muitos casos, apresenta limitações na melhora de sintomas não motores como ansiedade e depressão.
Os estudos [18,20] apresentam similaridades importantes em termos de protocolos de inter- venção e objetivos, tendo em vista que ambos buscam avaliar o impacto do treinamento resis- tido em pacientes com DP. Nos dois estudos, o protocolo foi planejado para ser realizado em duas sessões semanais e com uma duração média de 20 semanas. Os exercícios foca- ram no fortalecimento dos principais grupos musculares, incluindo membros superiores e inferiores, com cargas progressivas adaptadas conforme a resposta do participante ao treina- mento e utilizando a estratégia de alternar os exercícios por segmento corporal.
Além disso, ambos os estudos [18,20] incluí- ram o monitoramento regular da intensidade com escalas de percepção subjetiva de esforço, ajustando as cargas para garantir segurança e efetividade. Esse enfoque padronizado reflete uma estratégia consolidada dos autores para maximizar os benefícios do TF em pacientes com DP, tanto para a melhora dos sintomas motores quanto para o alívio de sintomas não motores, como ansiedade e depressão.
Já o estudo de Kwok et al. [19] inves- tigou a eficácia do yoga mindfulness, compa- rando-o ao TF e de alongamento convencional, encontrando que o yoga mindfulness proporcio- nou melhorias adicionais em bem-estar espiri- tual e qualidade de vida relacionadas à saúde
. A prática de yoga, que incorpora técnicas de respiração e mindfulness, parece atender mais especificamente às necessidades de gerencia- mento de estresse e melhoria do estado emo- cional em pacientes com DP. Enquanto ambas as intervenções melhoraram a mobilidade e os sintomas motores, apenas o yoga mindfulness apresentou benefícios adicionais significati- vos em bem-estar espiritual e percepção de equilíbrio emocional, áreas importantes para o manejo dos sintomas não motores da DP.
As intensidades de treinamento nos três estudos incluídos foram bem heterogêneas, re- fletindo abordagens diferentes para o exercício em pacientes com DP [18-20]. Já o estudo de
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Ferreira et al. [18] aplicaram uma intensidade progressiva no treinamento resistido, ajustando a carga conforme a resposta dos participantes para atingir uma faixa de esforço entre 7 a 8 na escala OMNI, considerada intensa para esse grupo, por sua vez, mantiveram uma progressão semelhante, mas sem um padrão rigoroso de intensidade, permitindo flexibili- dade de acordo com as limitações individuais dos participantes [20]. Enquanto, Kwok et al.
[19] utilizaram uma intensidade moderada no grupo de resistência e foco em movimentos de baixo impacto no grupo de yoga, com uma abordagem mais voltada para o controle mental e respiratório do que para a carga física. Essas variações nas intensidades refletem a falta de padronização entre os estudos, o que dificulta a comparação direta dos efeitos, mas sugere que intensidades adaptáveis podem ser benéficas para diferentes necessidades e condições dos pacientes com DP.
Outros estudos de TF em pessoas com DP também demonstraram resultados promisso- res [22,23]. As investigações de Vieira et al.
[22] avaliaram 33 participantes com DP em estágios leves a moderados, submetendo-os a um protocolo de treinamento resistido pro- gressivo por 16 semanas. O estudo Miyasato et al.[23] avaliaram 25 participantes com DP, também em estágios leves a moderados, também aplicando protocolo de treinamento resistido progressivo só que por 12 semanas. Esses estudos relataram melhorias significati- vas na bradicinesia, sintomas motores gerais e desempenho funcional. Embora não tenham avaliado diretamente os sintomas de depres- são, investigaram variáveis como mobilidade (Timed Up and Go) e força muscular (teste de preensão manual), que estão intimamente ligadas à capacidade funcional e à qualidade de vida, aspectos esses que corroboram para os estudos [18-20].
Outros tipos de treinamento, como interven- ções envolvendo dança ou música combinadas com meditação [24], também se mostraram
benéficos na redução dos sintomas depressi- vos em pessoas com DP. Nesse estudo, foram realizadas duas sessões semanais durante um protocolo de 8 semanas, e os participantes (15 em cada grupo) foram comparados a um grupo controle que manteve apenas os tratamentos convencionais. Os resultados indicaram me- lhora nos sintomas emocionais e na qualidade de vida, destacando a importância de incluir atividades baseadas em ritmo e meditação para melhorar o estado emocional e motor.
Esses achados sugerem que variáveis como frequência, tipo de atividade e foco em aspectos psicológicos, como mindfulness e engajamento social, devem ser consideradas tanto no TF quanto em abordagens alternativas [24, 18-20]. Assim, intervenções que combinam aspectos físicos e mentais, como dança e meditação, po- dem complementar os benefícios observados em práticas de treinamento mais tradicionais, como resistência e yoga, maximizando os ganhos em saúde mental e física de pacientes com DP.
No entanto, as limitações do presente estudo direcionam-se para a falta de homogeneidade nos protocolos de treinamento, dificultando a comparação direta entre os estudos. Outro pon- to crítico abordado é a necessidade de estudos adicionais que possam isolar os componentes mais eficazes de cada tipo de intervenção. En- quanto o yoga mindfulness incorpora aspectos de meditação e respiração que podem reduzir diretamente a ansiedade, o TF parece impactar mais fortemente a força física e a resistência, com efeitos secundários na saúde mental. O estudo de Kwok et al. [19] também menciona que a presença de um grupo controle ativo foi útil para garantir que os efeitos observados fos- sem devidos ao próprio yoga e não a interações sociais ou a outros fatores externos. Ainda, o poder da amostra no estudo de Ferreira et al. [18] fica limitado por não mencionar uma das variáveis intervenientes importante para a compreensão da amostra que se refere ao sexo biológico dos participantes.
Lins Barroso L.M., de Souza Sodré R., Santos Meireles A., Pereira Salustiano Mallen da Silva G.C., Monteiro A.B., de Souza Costa Conceição M.C., Gomes de Souza Vale R. Impacto do treinamento de força sobre o estado depressivo em pessoas com doença de Parkinson: Uma revisão sistemática.
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Limitações adicionais podem incluir o tama- nho reduzido das amostras e a variação nos critérios de inclusão e exclusão, o que pode influenciar os resultados. Nos estudos, os participantes eram principalmente idosos e em estágios iniciais a moderados da DP ((escala Hoehn e Yahr 1-3) Movement Disorder Society Task Force On Rating Scales For Parkinson’s Disease) [25], logo, os resultados podem não se aplicar a pacientes em estágios mais avan- çados da doença. A inclusão de mais desfechos psicológicos, como humor, angústia, estresse e irritabilidade, também foi uma questão limi- tante da revisão, pois essa inclusão poderia ter enriquecido a análise, fornecendo uma visão mais abrangente dos efeitos das intervenções investigadas sobre aspectos motores e não motores da doença. A necessidade de estu- dos com maior rigor metodológico e amostras ampliadas é clara e pode confirmar a eficácia dessas intervenções e esclarecer os mecanis- mos subjacentes às melhorias observadas em sintomas motores e não motores.
Os estudos analisados na presente revisão sistemática destacaram que os programas de TF tiveram impacto positivo nos aspectos mo- tores e na redução dos sintomas de depressão em pessoas com a DP.
Esses achados confirmam que o exercício fí- sico pode ser uma abordagem terapêutica com- plementar valiosa ao tratamento convencional da DP, ajudando a abordar tanto os sintomas motores quanto os emocionais. A aplicabilidade prática desta pesquisa está na possibilidade de incorporar programas estruturados de treina- mento força como parte do manejo clínico da DP. Essa abordagem integrada pode ser imple- mentada em centros de reabilitação ou como parte de programas comunitários, ampliando o acesso a tratamentos complementares.
Futuros estudos devem incluir os desfechos emocionais e os estados de ansiedade e de- pressão de forma combinada para ampliar a
compreensão dos benefícios psicológicos das intervenções físicas em pacientes com DP. Além disso, será um diferencial investigar pro- tocolos combinados, que integrem diferentes modalidades de exercício, como o TF e o yoga, para explorar sinergias que possam maximizar os benefícios para sintomas motores e não motores.
Os autores do artigo do intitulado artigo: Im- pacto do treinamento de força sobre o estado depressivo em pessoas com doença de Parkin- son: Uma revisão sistemática declaram não possuir conflito de interesse que possa interferir na imparcialidade do trabalho científico. Tam- bém declaram que não houve financiamento.
A Inteligência Artificial (IA) não foi utilizada em nenhuma etapa da pesquisa. A omissão do uso, mesmo que mínimo, fere os princípios da integridade científica. Todos os autores de- claram o não uso da IA.
Título do manuscrito: Impacto do treinamento de força sobre o estado depressivo em pes- soas com doença de Parkinson: Uma revisão sistemática
Declaração de Responsabilidade - Certifico que o artigo representa um trabalho inédito e que nem este manuscrito, em parte ou na íntegra, nem outro trabalho com conteúdo substancialmente similar, de nossa autoria, foi publicado ou está sendo considerado para publicação em outra revista, seja no formato impresso ou eletrônico. Atesto que, se solici- tado, fornecerei ou cooperarei na obtenção e fornecimento de dados sobre os quais o artigo está sendo baseado, para exame dos editores. Certifico que todos os autores participaram
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suficientemente do trabalho para tornar pública sua responsabilidade pelo conteúdo. Certifico que (1) Contribuí substancialmente para a con- cepção e planejamento do projeto, obtenção de dados ou análise e interpretação dos dados;
(2) Contribuí significativamente na elaborção dos métodos, discussão e revisão crítica da discussão (3) Contribuí significativamente na elaboração do rascunho ou na revisão crítica
do conteúdo; (4) Contribuí significativamente na elaboração do projeto e na revisão crítica da introdução e métodos (5) Contribuí significati- vamente na elaboração do objetivo, conclusão e revisão crítica dos métodos (6) Contribuí significativamente na elaboração dos méto- dos, revisão crítica da discussão (7) Participei da elaboração do projeto e na aprovação da versão final do manuscrito.
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Apêndice 1. Estratégia de busca
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